“Cidade fantasma
No verão, movimentação
carrão e povão – tudo na contramão
O problema, na real
é na orientação
já na rede social
ele monta uma armação
ilha da magia?
é o c*aralho meu irmão
o teto e a comida
a floresta colorida
chegar na praia pela trilha
custa mais que dez marmita
compra em dólar, compra em euro
só não compra com o cruzeiro
de quem trabalha o dia inteiro”
Poema “Cidade Fantasma”, de Estela Carvalho
A cada dia que passa, a elite de Florianópolis e a gestão municipal concretizam um projeto de cidade: transformá-la em um paraíso da especulação imobiliária, com grandes hotéis, megalo-marina e prédios de luxo. O restante da população que se vire!
Mais horas de busão, mais exploração no trabalho, salas de aula lotadas, insegurança alimentar, climática e de moradia. Quando mais precisamos da natureza para subsistir, mais ela é transformada em mercadoria pela máquina do capitalismo turbinado.
“(…) Minha ilha não quer ser Miami. Não quer abrigar esse turismo predatório que transforma tudo numa mesma coisa em troca do dinheiro fácil e rápido. Minha ilha quer continuar sendo diversa e variada, alegre e colorida”
– Trecho do Poema “Minha Ilha?”, de Fernando Alexandre
Mas dessa cidade também brotam ideias que desafiam esse modelo que vem sendo imposto. São diversas coletividades, organizadas em associações, coletivos e movimentos sociais que pensam e propõem outras formas de organizar a cidade. Da histórica luta pela Tarifa Zero, aos movimentos que defendem parques públicos e unidades de conservação, só para dar uma palinha.
A Feira de Ideias para Adiar o Fim de Floripa tem o propósito de juntar no mesmo espaço e tempo essa diversidade de movimentos. As banquinhas da feira são organizadas pelas coletividades (feirantes), que “vendem” suas ideias para quem estiver passando. Além de conversar com quem estiver passando, também queremos nos fortalecer mutuamente, tecendo redes entre feirantes.
“Como rendas de bilro são sonhos,
Tecidos, transformados a cada dia.
Tecidos em fios possíveis, fios de realidade”
– Trecho do Poema “Rendeira”, de Zeni Bannitz
Esse ano o mote da feira é “Modelos de Cidade em Disputa”. Portanto, provocamos as feirantes a se (ins)pirarem nele. Com quais espaços culturais, ecológicos, vivos, comunitários, públicos, sonhamos? Já sabemos qual o modelo que nos vêm sendo empurrado goela abaixo. Mas e nós, o que propomos para a cidade e a todas suas formas de vida? Em que cidade viverão nossas crianças?
Esta segunda edição da feira acontece na pista de Skate da Costeira do Pirajubaé, no dia 11 de outubro à partir das 14h, organizada em conjunto com o Sarau da Costeira. A pista é fruto da luta da comunidade, que batalhou para ter um espaço de lazer e convivência para a juventude em um bairro esquecido pelo poder público.
O Sarau da Costeira é um exemplo de como a comunidade organizada pode regar a vida de um espaço público. Realizado desde 2018, com mais de 27 edições, o Sarau articula diferentes grupos culturais, ocupando o território com música, biblioteca comunitária, xadrez, entre outras atividades, em um movimento antirracista e de classe.
A 29° edição do Sarau comemora o dia das crianças, e vai ter diversas atividades preparadas para elas. Portanto queremos muita brincadeira, cultura e arte popular nesta mistura! O convite também se estende aos grupos culturais da cidade. Circo, fanfarras, batalhas de rima, cineclubes, grupos de capoeira, bora pra pista e fazer dessa feira um evento caliente e alegre, para esquentar os nossos corpos neste começo de primavera em pleno super-el-ninõ.
“Os territórios de quilombos onde as cidades estão são lugares onde deveriam acontecer feiras, mas não apenas como as lojas onde você compra e depois vai embora. Feiras no entendimento de como elas são feitas na Caatinga ou no Sertão, onde a maioria das pessoas chega de manhã e só vai embora no final do dia. Há os que compram, os que vendem, os que emprestam, os que trocam e aqueles que vão só para ter notícias da comunidade, encontrar os amigos e tomar uma cachaça. Toda feira que se preze tem que ter também um cabarezinho, um espaço de boemia, de paquera, namoro e dança. As pessoas que frequentam os cabarés dançam muito bem; eles são o lugar onde se aprende a dançar e a paquerar, um lugar para viver afetos”
Livro “A terra dá, a terra quer”, de Nego Bispo, p. 28
Se interessou e quer expor na feira como feirante? Preencha o formulário abaixo!
O coletivo Sarau da Costeira está organizando a programação cultural. Então se tiver alguma proposta nesta linha manda DM através do instagram @sarau_dacosteira.
Nos vemos na 2° feira de ideias com o 29° Sarau da Costeira!
Tecendo Redes
Sarau da Costeira