Relato da manifestação contra o PEU Refúgio do Campeche no Rio Tavares

Publicado em colaboração com o Coletivo Ecolhar.

Manifestação em frente ao Conselho Comunitário do Rio Tavares

Dia 09 de julho de 2026. Era uma quinta-feira de sol no Rio Tavares, em um dia de inverno mais quente do que o habitual. A empresa Embralot, que atua no setor de incorporação voltado a empreendimentos de luxo no sul do país, havia convidado a comunidade para uma “caminhada comunitária”, após uma atividade de “escuta” no Conselho Comunitário do Rio Tavares. May East, nome artístico de Maria Elisa Capparelli Pinheiro, uma urbanista anglo-brasileira, educadora, cantora e compositora foi convidada pela empresa para ser a facilitadora desta conversa com a comunidade. Segundo a carta de convite, a atividade convidava os moradores e moradoras a compartilharem “histórias, qualidades e potencialidades do território” e fazia parte do “processo participativo do PEU Rio Tavares”.

Carta de convite enviada pela Embralot para a comunidade
Carta de convite enviada pela Embralot para a comunidade

Na prática, tal atividade visava convencer os moradores e moradoras das benesses que seriam trazidas pelo empreendimento PEU (Projeto Especial de Urbanização) Refúgio do Campeche, um mega condomínio com torres de até 14 andares, voltado para população de alta renda, que a empresa pretende construir em uma grande área que se estende dos fundos da Igreja de Pedra, até o campo Cruz de Malta, com quase 750 metros de frente, em uma área total de 265 mil metros quadrados.

Área onde se pretende construir o empreendimento. Fonte: PEU Rio Tavares- Etapa de Interesse Público, PMF.

Conforme denunciou a nota do Coletivo Ecolhar, a empresa busca legitimar cultural e politicamente o megaprojeto por meio de uma estratégia de comunicação. Segundo a nota, essa estratégia inclui o uso de “maquiagem verde”, apresentando o empreendimento com um discurso de responsabilidade socioambiental para atenuar a percepção de seus impactos ecológicos, além de recorrer ao apoio de pessoas conhecidas para conferir credibilidade e simpatia ao projeto antes da realização de uma audiência pública.

Recorte de imagens ilustrativas do projeto. Fonte: PEU Rio Tavares- Etapa de Interesse Público, PMF.
Recorte de imagens ilustrativas do projeto. Fonte: PEU Rio Tavares- Etapa de Interesse Público, PMF.

Uma manifestação havia sido convocada por moradoras e moradores indignados, e pelos coletivos Tecendo Redes, Ecolhar e SOS Restinga das 4 ruas. No horário marcado pela empresa, em frente ao conselho já estavam mais de 15 pessoas com faixas e cartazes, denunciando os impactos que o PEU traria para o meio ambiente, mobilidade urbana e saneamento, em uma cidade já saturada pelos efeitos da expansão desenfreada da construção civil, agravados pela aprovação da última revisão do Plano Diretor em 2023.

Manifestantes em frente ao Conselho Comunitário empunhando cartazes
Manifestantes em frente ao Conselho Comunitário empunhando cartazes

Aos poucos mais pessoas foram entrando no conselho. Lá dentro o clima também esquentou, quando a comunidade em peso rechaçava o projeto, apontando o drama que já vivem hoje, e citando por exemplo os transtornos que tiveram com as obras do Fort Atacadista, logo em frente. Muitos se retiravam da “conversa”, para se juntar aos manifestantes que do lado de fora denunciavam a tentativa de aliciamento aos gritos de “nenhuma concessão à especulação!” e denunciando o empreendimento como uma “redoma para ricos”.

A manifestação também adentrou o Conselho
A manifestação também adentrou o Conselho

Dentro do conselho, as falas iam na direção contrária de qualquer “meio termo”, mesmo com as tentativas da mediação de May East. A situação tinha saído do controle da empresa, que não conseguiu realizar a “caminhada de escuta”, tendo fracassado em seu objetivo. Com a finalização da atividade, parte do público de dentro se juntou aos manifestantes de fora, e o ato cresceu de tamanho. A manifestação se deslocou para a SC-405, bloqueando o trânsito em alguns momentos. Motoristas que passavam buzinavam, em aprovação mas também alguns em protesto contra a interrupção do fluxo cotidiano.

Motoqueiro levanta o punho em sinal de aprovação
Motoqueiro levanta o punho em sinal de aprovação
Manifestantes ocupam a SC-405

Ao final do ato, um integrante do Coletivo Ecolhar convidou os participantes para uma breve explanação sobre a denúncia de irregularidades fundiárias envolvendo parte dos terrenos onde a empresa pretende implantar o Refúgio do Campeche. Segundo o coletivo, cerca de 130 mil m² — aproximadamente metade da área prevista para o empreendimento — estão afetados por grilagem de terras da União e por uma concessão considerada irregular pelo Estado de Santa Catarina, em prejuízo do patrimônio público federal. A denúncia foi protocolada junto ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público de Santa Catarina. O coletivo também aponta que o 2º Cartório de Registro de Imóveis teria contribuído para a consolidação da irregularidade ao registrar, em março de 2005, uma averbação requerida pelo então proprietário, sem considerar a origem questionada da operação.

Faixas no gramado em frente ao Fort Atacadista
Faixas no gramado em frente ao Fort Atacadista

O ato foi considerado uma vitória dos movimentos sociais contra a especulação imobiliária e a destruição ambiental, na defesa da cidadania contra os ataques da gestão Topázio e sua bancada na Câmara de Vereadores. Será necessário manter a vigilância e mobilização social perante os próximos passos da empresa. Uma nova reunião já está sendo marcada para definir como se dará a continuidade da luta.

Comunidade dá o recado.
Comunidade dá o recado.

Abraço em defesa da APA da Baleia Franca ocorre neste domingo em Imbituba

Publicado originalmente no Jornal Popular Catarinense

Moradores, pescadores, pesquisadores, surfistas, ambientalistas e representantes da sociedade civil promovem neste domingo, 12 de julho, às 9 horas, um grande Abraço em Defesa da APA da Baleia Franca, na Praia do Rosa Sul, em Imbituba.

A mobilização é uma manifestação pacífica em defesa da manutenção da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, diante da tramitação do Projeto de Lei nº 849/2025, que propõe reduzir a área terrestre da unidade de conservação federal.

O ato busca reunir pessoas de diferentes segmentos da sociedade para demonstrar que a proteção do litoral catarinense ultrapassa questões ambientais. A APA da Baleia Franca abriga ecossistemas fundamentais, como dunas, restingas, lagoas, manguezais, costões rochosos e remanescentes de Mata Atlântica, além de proteger a região que, todos os anos, recebe as baleias-francas para reprodução e criação de seus filhotes.

Para os organizadores, o abraço simboliza a união da comunidade em defesa de um patrimônio natural, cultural, científico e econômico que beneficia toda a região sul de Santa Catarina. A iniciativa também pretende chamar a atenção para a importância da conservação ambiental e incentivar a participação popular nas discussões sobre o futuro da unidade de conservação.

A participação é aberta à comunidade. Os organizadores convidam moradores e visitantes a comparecerem ao local e integrarem o abraço coletivo em defesa da APA da Baleia Franca.

Comunidade da Fortaleza da Barra questiona instalação de torre de telecomunicação

FORA ANTENA: COMUNIDADE DA FORTALEZA DA BARRA QUESTIONA INSTALAÇÃO DE TORRE DA NEXUS TELCOM BRASIL S.A. E COBRA TRANSPARÊNCIA

Publicada originalmente no instagram de jub8arte e Projeto Felizão

Moradores da Fortaleza da Barra, em Florianópolis, seguem mobilizados em torno do movimento Fora Antena. A comunidade questiona a instalação de uma torre de telecomunicações de 40 metros, da empresa Nexus Telecom Brasil S.A. em uma área de alagamento, com possível impacto no patrimônio comunitário, histórico e paisagístico do Dólmen da Oração; e pede transparência sobre o processo de licenciamento e autorizações da obra.

Ao longo dos últimos meses, um dossiê foi construído coletivamente, reunindo documentos públicos, protocolos administrativos, manifestações encaminhadas a órgãos de fiscalização, registros fotográficos, pesquisas técnicas e relatos da comunidade.

Entre as principais preocupações apresentadas estão os possíveis impactos sobre a paisagem cultural da Fortaleza da Barra, a biodiversidade local — incluindo aves, morcegos, abelhas e outros polinizadores — e a preservação de um território reconhecido por seu patrimônio comunitário, histórico, ambiental e simbólico.

O movimento afirma que a obra é clandestina e irregular, sem o devido licenciamento e solicita que o debate sobre a instalação deve ser feito na comunidade, através de esferas públicas e acesso popular. Afirma que os Direitos Humanos foram desrespeitados pela empresa. Solicita que todos documentos sejam disponibilizados de forma clara para a população.

Além das ações administrativas, moradores vêm promovendo encontros, debates e campanhas de conscientização para ampliar o diálogo com a sociedade.

Para os integrantes do movimento Fora Antena, o objetivo não é apenas discutir uma torre, mas defender o direito da comunidade de participar das decisões que refletem na saúde e vida do território onde vivem.

O dossiê permanece aberto e poderá receber novas informações, denúncias,  documentos que são as contribuições da população conforme o andamento do caso.

Informação, participação e transparência também fazem parte da preservação do patrimônio coletivo.

E.C.S.
Comunicóloga, Arte-Educadora Social


A comunidade fará um piquenique neste domingo 12/07, abaixo o chamado:


Nesse domingo vamos realizar um Picnic Cultural – Natureza Viva!

Vamos conversar sobre consentimento, no âmbito dos direitos humanos: o direito das comunidades de serem ouvidas, de participarem das decisões que afetam seus territórios e da importância de fortalecer as esferas públicas desde a infância.
O encontro é totalmente gratuito, construído de forma colaborativa e solidária. A proposta é que cada pessoa, se puder, leve algo para compartilhar no piquenique, seu copo e, quem quiser, papel e cartaz.

É um convite para vivermos, na prática, a cultura do cuidado, da partilha e da participação: da infância à arte, de um comungar “territocomunitário”, de sentir anscestral, com Ngoma permanecer “territocultural”).

Teremos arte, música, brincadeiras, dobraduras de papel, natureza, prosas e proesas.

Que a solidariedade e o fortalecimento dos vínculos comunitários cultivem a cultura da vida, do consentimento e respeito entre todes seres.

Viola já vai ter. Sua poética será um grande diferencial. Toda família bem vinda!

📅 Domingo, 12 de julho, às 14h
📍 Trapiche da Fortaleza da Barra da Lagoa
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Compartilha esse convite com todes os teus afetos, especialmente com aos amigues com crianças. Quanto mais gente fortalecendo esse espaço de convivência, cuidado e participação, mais VIVA fica a nossa comunidade. 💚
.E.C.S.