ATO EM DEFESA DOS ESPAÇOS PÚBLICOS DE FLORIANÓPOLIS

O projeto de lei N.º 19937/2026 autoriza a prefeitura a conceder espaços públicos para exploração econômica privada. 

São 528 parques, praças, áreas verdes e unidades de conservação, que estão no “saldão de queima de estoque” do prefeito Topázio. Espaços públicos que têm vida, história, memória e relação com as comunidades,as quais, muitas vezes, participam ativamente da sua gestão. 

Alguns desses espaços, inclusive, só existem hoje graças à luta comunitária contra o descaso da prefeitura ou a força devastadora do capital imobiliário. É o caso, por exemplo, do Parque de Coqueiros e do Parque da Luz, que a prefeitura quer tirar do povo e dar de presente para a iniciativa privada.

Com a privatização, o foco desses espaços será o de gerar lucro para algumas empresas, muitas vezes, as mesmas construtoras que estão devastando a cidade. Temos exemplos em outras regiões do Brasil e do mundo e os efeitos são:

* Exclusão de parte da população da cidade, que utiliza esses espaços para lazer, e vai ter seu acesso e usufruto dificultados por medidas, como cobrança de entrada, estacionamento e encarecimento dos serviços em geral. 

* Exclusão de comunidades locais, que já atuam na operação de serviços nessas áreas. Essas comunidades serão substituídas por empresas sem vínculo territorial que não possuem compromisso algum com o desenvolvimento socioeconômico das famílias locais, e muito menos, com a conservação do meio ambiente.

* Descaracterização dos espaços com a publicidade de empresas, apagando a cultura de cada local, levando a uma “pasteurização visual”, deixando tudo com a mesma cara.

* Cerceamento, com cada vez mais vigilância, colocação de cercas e catracas, objetivando um higienismo social.

Depois do Plano Diretor, este é mais um passo na política de “Cidade à Venda” da gestão Topázio.

No dia 08 de setembro, acontece, na Câmara de Vereadores, uma Audiência Pública sobre este projeto de lei.

Entendemos os limites que este tipo de evento impõe para a real participação da população trabalhadora.

Mas não podemos nos calar! 

Vamos nos manifestar em frente à entrada da Câmara Municipal, com faixas, cartazes e o que a sua raiva criativa permitir! Concentração às 13h.

Nossos bens comuns não são mercadoria! 

Se é público, é nosso. Se é nosso, a gente defende!

Veja abaixo a listagem dos espaços que a prefeitura pretende entregar e também outras publicações que já fizemos sobre o assunto desde o ano passado, quando o projeto começou a ser ventilado na imprensa.

Em 19/03/2025: Cidade à Venda: o Plano de Desenvolvimento Turístico e a privatização dos espaços públicos de Floripa

Em 17/04/2025: Mobilize-se contra o Plano de Privatização do Turismo em Floripa

Terceira Plenária de Construção da Marcha Global pelo Clima em Florianópolis

A Europa ardeu em chamas, sofrendo com grandes queimadas e mais de 10.000 mortes, e retirada forçada de mais de 300 mil pessoas provocadas por calor extremo. No Nepal, enchentes com avalanches de lama com centenas de mortos e desabrigados e quase 2 mil pessoas desaparecidas. Na América Latina, o super El Niño provoca desastres em países como Chile e Venezuela, enquanto fortes chuvas já causam inundações e alagamentos no Rio Grande do Sul. É apenas o começo! O pico do El Ninõ está previsto para outubro.

A realidade do colapso ambiental está cada dia mais crítica, mas a gravidade da situação não está se refletindo em medidas concretas dos governos para assegurar nossas vidas em meio às catástrofes sem precedentes que iremos enfrentar. Na verdade, as políticas aplicadas têm ido na contramão de tudo que tem sido alertado por cientistas, povos indígenas e demais comunidades tradicionais.

COM CAPITALISMO NÃO TEM CLIMA:

Quem consegue pensar em clima enquanto está lutando para sobreviver nesse sistema?

O mesmo sistema capitalista que parasita nossa força de trabalho e suga nossas vidas destrói biomas inteiros, derruba florestas, contamina rios, polui o ar e os oceanos. O planeta esquentou, e agora é a nossa espécie que está em risco de extinção. Já é possível sentir na pele as consequências de séculos de devastação ambiental colonial. Chegamos ao “ponto de não retorno”, de modo que alguns estragos estão se tornando irreversíveis. Por isso, é urgente a mobilização em direção a mudanças radicais nesse sistema.

A RESPOSTA SOMOS NÓS!

A Grande Florianópolis tem um longo histórico de movimentos em defesa da terra e das águas, para preservação e para vida digna de quem vive delas. Mobilizações que hoje enfrentam a especulação imobiliária em nosso litoral, com a tentativa de extinguir a área terrestre da APA da Baleia Franca, bem como diversas iniciativas de construção de grandes prédios para ricos em nossas praias. Lutas também dos povos indígenas, pela terra indígena Tekoá Itaty (Morro dos Cavalos) e pela aldeia Goj Ta Sa. Quilombolas, pela titulação do Quilombo Vidal Martins e de pescadores, contra a construção da megalo-marina na beira-mar norte. Luta por terra, trabalho e teto, nas diversas ocupações urbanas que já se organizaram nas periferias.

Esta diversidade de experiências trazem sementes para o mundo novo que queremos plantar. Precisamos regar estas sementes com muita mobilização popular e fazer convergirem as lutas. 

A Resposta Somos Nós“, campanha lançada inicialmente pelos povos indígenas da Amazônia para a COP30, nos inspira e por isso abraçamos este lema na construção da Marcha Global Pelo Clima em Florianópolis. 

A Marcha será no sábado dia 19 de setembro, com concentração 10h no Largo da Alfândega, no centro da cidade. Esta marcha faz parte de um chamado global, e diversas marchas estão confirmadas em diferentes cidades do país.

Queremos retomar uma cultura de manifestação de rua que é histórica em Florianópolis, portanto embora estejamos em período eleitoral, este não será o foco nem o fim desta marcha. Também gostaríamos que estejam presentes nessa construção coletiva e horizontal grupos indígenas, quilombolas e periféricos, muitas vezes ausentes dos atos das pautas socioambientais.

RUMO À TERCEIRA PLENÁRIA DE CONSTRUÇÃO DA MARCHA

Convidamos sua coletividade para a 3ª Plenária Online da Marcha Pelo Clima 2026 em Florianópolis, para continuar a construção deste processo. Já temos lema, chamado, horário, local e ponto de partida definidos e precisamos debater a dinâmica da marcha.

INFORMAÇÕES SOBRE A TERCEIRA PLENÁRIA:

Dia 31 de agosto (uma segunda-feira)

Hora: 19:30.

Para participar, se inscreva pelo formulário abaixo.

preencha como prefere ser chamada
Convidam para esta terceira plenária: 

Tecendo Redes

Instituto de Formação Popular Caeté

Rede de Mulheres Ecológicas do Território Serramar

Ecoando Sustentabilidade

Marcha da Maconha

Coletivo Ecolhar

Ponto de cultura Goj Ta Sa

O Parque da Luz é de todas as Pessoas – um chamado para troca de ideias

No atual cenário da emergência climática, as áreas verdes desempenham um papel fundamental, reduzindo ilhas de calor, favorecendo a infiltração da água, e servindo como um refúgio essencial para a saúde mental e física das pessoas.

O Parque da Luz é uma área verde de lazer em um local central e simbólico de Florianópolis, ao lado da cabeceira da ponte Hercílio Luz. Este espaço é fruto da mobilização comunitária iniciada nos anos 80, que através de muitos encontros artísticos e culturais, moções e abaixo-assinado conseguiu a criação do parque no final dos anos 90.

O próprio desenho do parque foi concebido pela comunidade organizada. Com uma abordagem minimalista, com foco na área verde e pouca intervenção de área construída. Essa construção coletiva se reflete nas próprias árvores que deram origem ao parque, plantadas pelas mãos de pessoas de toda cidade.

Entretanto, um projeto de “revitalização” do parque (aspas aqui, pois o parque já tem muita vida), pretende mudar essa concepção. Tal projeto, elaborado por uma grande construtora da cidade, com apoio da atual gestão da prefeitura, desconsidera o debate comunitário, impondo uma outra lógica para a região. Além disso, moradores e moradoras denunciaram ao Ministério Público de Santa Catarina que o projeto não cumpriu a legislação vigente, passando por cima do modelo de gestão compartilhada que historicamente marca o Parque da Luz.

No intuito de mobilizar a sociedade em defesa deste espaço público tão importante e simbólico para toda a cidade, moradores e moradoras organizados no grupo SOS Parque da Luz estão convidando para uma conversa e abraço coletivo no parque, que acontecerá no sábado dia 29 de agosto. Abaixo mais informações:

Sábado tem Parque da Luz! 🌳
29/08, 9h30, no campinho do parque.
Vem ouvir, aprender e trocar ideia sobre o nosso parque:
🗣️ Elaine Martins — História do Parque da Luz, nossa identidade
🗣️ Rodrigo Stüpp (Guia Manezinho) — mudanças da região
🗣️ Paulo Horta — Florestas urbanas
🗣️ Maísa Hortal — Como uma floresta impacta sua saúde
🗣️ Padre Wilson — 3 parques
🗣️ Claudine Alles — O futuro do Parque da Luz: o que queremos?

Mais informações sobre o Parque da Luz:

Site da Associação dos Amigos do Parque da Luz.


O evento foi adiado por conta da chuva. Em breve será divulgada uma nova data.