Participantes do Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental lançam carta pública

Publicado originalmente no site da Caritas, SC.

Mais de 70 representantes de 42 entidades pastorais, movimentos sociais populares, organizações da sociedade civil, universidades, coletivos ecológicos, povos originários, comunidades tradicionais e lideranças de diferentes regiões de Santa Catarina lançaram neste domingo (28), em Rio do Oeste, o Manifesto de Rio do Oeste, uma carta pública que reivindica ações estruturantes para o enfrentamento da crise climática com justiça socioambiental.

O documento é o principal encaminhamento do Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, realizado entre os dias 26 e 28 de junho, e sintetiza os debates, reflexões e propostas construídas coletivamente ao longo do encontro. 

Mais do que denunciar os impactos das mudanças climáticas, o manifesto é um grito coletivo o qual ressalta que a crise é também ética, política, econômica e social, exigindo transformações profundas no atual modelo de desenvolvimento.

“O Manifesto de Rio do Oeste nasce da compreensão de que os efeitos da crise climática já atingem diretamente os territórios e recaem, sobretudo, sobre as populações mais vulnerabilizadas. Por isso, defender o clima significa também defender os direitos dos povos, a democracia, os bens comuns e a vida”.

Entre as principais reivindicações estão a demarcação e proteção dos territórios indígenas; o fortalecimento da organização comunitária e da participação popular; uma transição energética justa; o enfrentamento aos impactos da mineração; a proteção da biodiversidade e das sementes crioulas; o incentivo à agroecologia; a garantia do direito à água; a promoção da soberania alimentar; o fortalecimento da agricultura urbana; e investimentos em educação ambiental, comunicação popular e gestão de riscos climáticos.

O manifesto também ressalta a importância dos conhecimentos dos povos originários e das comunidades tradicionais, da ciência comprometida com o bem comum e da Ecologia Integral como caminhos para enfrentar a emergência climática e construir sociedades baseadas no Bem Viver.

Leitura da Carta Manifesto Rio do Oeste. Foto: Maria Clara de Farias/ Cáritas SC

Articulação permanente

O Seminário e a construção da carta foi uma convocação para o fortalecimento do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental – Núcleo SC, uma articulação formada por entidades, pastorais e movimentos sociais que atua em rede desde 2010 para promover consciência crítica e incidência política diante das causas e dos impactos das mudanças climáticas.

Presente em diferentes biomas e territórios brasileiros, o Fórum desenvolve ações de formação e mobilização social, além de dialogar com redes nacionais e internacionais, acompanhando agendas como as Conferências das Partes sobre Mudanças Climáticas (COPs). 

Sua atuação defende que o enfrentamento da crise climática passa necessariamente pela justiça socioambiental, pela participação popular e pelo protagonismo das comunidades que vivem cotidianamente os impactos dos eventos extremos.

Construção coletiva

O Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental foi promovido pela Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, em parceria com o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, a CNBB Regional Sul 4 e o Fundo Nacional de Solidariedade.

Sob o tema “Bem conviver com a Mata Atlântica”, as atividades promoveram o protagonismo a eixos como a preservação de bens naturais, a agricultura familiar e a defesa dos direitos territoriais.  

O documento que sintetiza o seminário convoca igrejas, universidades, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, juventudes, gestores públicos e toda a sociedade catarinense a construir um novo projeto de sociedade baseado na justiça socioambiental, na solidariedade entre os povos e no cuidado com a Casa Comum.

“Não há justiça social sem justiça ambiental. Defender os territórios é defender o futuro da humanidade.”

Leia a carta completa:

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