Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental: Grupos de Trabalho aprofundam experiências concretas de (re) existência nos territórios catarinenses

Publicado originalmente no site da Caritas, Santa Catarina


Grupo de Trabalho sobre Demarcação de Terras Indígenas. Foto: Maria Clara de Farias/ Cáritas SC   

A programação da tarde do Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental teve início com uma reflexão sobre os encaminhamentos da Cúpula dos Povos, espaço de articulação da sociedade civil realizado paralelamente à COP30, que reuniu movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, juventudes, organizações populares e entidades de diversos países para construir propostas de enfrentamento à crise climática a partir da justiça socioambiental.

Convidada para o debate, Mariah Girassol, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), propôs uma leitura coletiva da  DECLARAÇÃO DA CÚPULA DOS POVOS RUMO A COP30 , entregue durante a COP30 como expressão das reivindicações da sociedade civil organizada. O documento foi fortalecido por uma marcha que reuniu cerca de 70 mil pessoas, demonstrando a diversidade de povos, culturas e organizações mobilizadas em defesa da vida, dos territórios e da justiça climática.

Para Mariah, a Cúpula representou um importante impulso para os movimentos populares ao evidenciar a capacidade de articulação e incidência política da sociedade civil. “Foi uma injeção de ânimo ver a diversidade de povos e culturas. Conseguimos demonstrar a força dos movimentos sociais”, afirma.

Mariah Girassol, representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Foto: Maria Clara de Farias/ Cáritas SC   

A representante provocou os participantes a refletirem sobre as causas estruturais da crise climática, defendendo que as respostas não podem se limitar a soluções técnicas ou de mercado. “O que vai mudar a sociedade é uma ruptura com o modelo capitalista”, manifestou, reforçando que a transformação passa pela organização popular, pela defesa dos territórios e pela construção de um novo modelo de desenvolvimento centrado na justiça socioambiental.

Painéis de Experiências Territoriais e (Re)existência 

Painéis de Experiências Territoriais e (Re)existência. Fotos: Maria Clara de Farias/ Cáritas SC

A reflexão serviu como base para os painéis e grupos de trabalho da tarde, que aprofundam experiências concretas e (re) existência nos territórios catarinenses, fortalecendo a construção de propostas coletivas de incidência política que irão compor o Manifesto de Rio do Oeste.

Os representantes de movimentos sociais, organizações populares, universidades e comunidades tradicionais compartilham experiências concretas de resistência e cuidado com a Casa Comum. 

Os principais temas abordados foram: a proteção das águas superficiais e subterrâneas, a transição agroecológica na agricultura familiar, a agricultura urbana, os quintais produtivos e a preservação das sementes crioulas como estratégias de fortalecimento da soberania alimentar e da biodiversidade. Também entrou em pauta a reciclagem popular, a organização comunitária, a defesa dos campos de altitude, a resistência quilombola, os impactos da mineração, a reforma agrária, a demarcação de terras indígenas e os desafios de uma transição energética que seja efetivamente justa e participativa.

O seminário é promovido pela Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, em parceria com o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, o Fundo Nacional da Solidariedade e a CNBB Regional Sul 4. 

Por Fernanda Guimarães Dorta – Setor de Comunicação da Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina

CineEcolhar convida para cinedebate sobre o filme Comida de Mentira

Publicado originalmente no site do Coletivo Ecolhar.

Embalagens fáceis de abrir podem esconder verdades difíceis de engolir. “Comida de Mentira” revela como a indústria dos ultraprocessados, movida pelo lucro a qualquer custo, quer reprogramar nossa alimentação, comprometendo a saúde de milhões e ameaçando ecossistemas inteiros. Com especialistas e casos reais, o documentário revela, de forma acessível, os impactos dessa engrenagem no Brasil.

Como as mudanças no território podem afetar a forma como comemos?

Com a exibição deste documentário, o CineEcolhar nos convida a refletir sobre a relação entre a nossa alimentação e as mudanças que estão acontecendo no entorno do Rio Tavares e Campeche, com a construção de grandes empreendimentos como supermercados estilo “Atacadão” pelos bairros, assim como grandes condomínios.

Depois do filme terá uma roda de conversa, contando com a presença de integrantes do Assentamento Comuna Amarildo, do coletivo Ecolhar e com uma integrante do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA).

A exibição acontecerá no dia 04/07, às 10h, na Associação Sagres, um centro de educação e desenvolvimento humano inspirado na Antroposofia.  Não é necessária inscrição e a participação é gratuíta. Caso queira contribuir com o café coletivo, traga algo para compartilhar!

Quando: sábado, 04/07/2026, 10h.

Onde: Associação Sagres, Rua da Macela, 80. Rio Tavares.

CineEcolhar é um projeto do coletivo Ecolhar que busca incentivar debates socioambientais pelos bairros, com filmes e rodas de conversa abertas à comunidade.

Notas sobre o filme:

Comida de Mentira é uma produção do Coletivo Bodoque e Pajú Entretenimento, tem patrocínio da ACT Promoção da Saúde, parceria com O Joio e o Trigo e Instituto de Defesa de Consumidores (IDEC) e apoio do Ibirapitanga, Repense, Lúmen, Mônada Post, SPFilm e Monster.

Para saber mais sobre o filme, assistir ao trailler e saber das próximas exibições, acesse www.comidadementira.org.br 

Summit Cidades: para quem?

Esta nota foi publicada pelo Ocupa SC, em seu instagram, em 26 de junho de 2025
na ocasião da edição do ano passado do evento, que ocorreu novamente em 2026 com uma lógica idêntica.

Nos dias 24, 25 e 26 de junho, Florianópolis sediou o Summit Cidades 2025, no Centrosul. Com ingressos chegando a R$ 989,90, o evento reuniu empresários, gestores públicos e representantes da mídia tradicional para discutir o “futuro das cidades”.

O Evento tem patrocínio de instituições públicas e comunitárias de prestígio, como Casan, BRDE e Furb, além de parceria com o Governo Federal e a UFSC. Tudo isso para impulsionar uma agenda elitista, conservadora e que exclui grande parte da população – seja dos espaços, ou pela falta de temáticas relevantes.

No meio da programação, predominam atividades voltadas à comunicação política, conduzidas por membros de partidos alinhados à direita e mídia tradicional. Fala-se pouco, quase nada, sobre direito à cidade, justiça territorial ou inclusão das periferias.
A maioria dos rostos presentes no evento são os mesmos que apoiam:

– O PL da Invasão Zero, que criminaliza famílias em ocupações, impedindo o acesso a políticas públicas e concursos sem qualquer julgamento;
– A repressão à população em situação de rua, com internações forçadas e marketing humilhante;
– O fechamento do restaurante popular, deixando centenas sem acesso à alimentação;
– A gentrificação de espaços centrais, sufocando locais populares de cultura;

Como ensina Ermínia Maricato, cidades inteligentes não podem ser guiadas apenas pelo mercado, mas sim por justiça social e direito à cidade. “A cidade informal é mais inteligente que a cidade formal”.

O que se apresenta como inovação no Summit Cidades é, na prática, uma velha agenda conservadora, marcada pela especulação imobiliária, higienização social e privatização do território.

Tudo isso numa cidade com mais de 28 mil imóveis vazios e mais de 13 mil famílias sem moradia digna. Tem mais casa sem gente do que gente sem casa.

Cuidado com os discursos bonitos: muitas vezes eles apenas disfarçam políticas públicas construídas para manter privilégios — e não para garantir direitos.


Nota do editor: A população de Porto Alegre se revoltou com um evento chamado South Summit Brasil (só faltou o Brasil com z), e também no ano passado realizou o Farofa Summit, ocupando o Cais Embarcadero às margens do Guaíba, reafirmando que espaço público é para todos e todas.