Moradoras da Daniela e Jurerê chamam ato contra PEU Jurerê In

Card sendo divulgado pela comunidade nas redes sociais

Moradoras e moradores da Daniela e Jurerê estão se mobilizando para uma manifestação neste sábado. Motivo: um imenso empreendimento imobiliário que a construtora Habitasul pretende erguer ali.

Imagine um terreno de 217 hectares — mais ou menos 200 campos de futebol.
Os 217 hectares do PEU Jurerê in, em Florianópolis, estão inteiramente dentro de uma AUE — Área de Urbanização Especial, uma das nove criadas na revisão de 2023 do Plano Diretor. Nessas zonas, boa parte dos limites de ocupação não é fixada pela lei: o próprio Plano remete essa definição ao PEU, que é proposto pela empresa que quer construir.

Fonte: Caderno 1 PEU Jurerê In – página 10

No estudo apresentado, 95 hectares aparecem como “área sem restrições de uso”. A expressão sugere terreno vazio — mas, pelos números do próprio documento, cerca de 79 desses hectares são restinga em estágio avançado de regeneração, vegetação nativa protegida pela Lei da Mata Atlântica. “Sem restrições” não significa sem vegetação: significa sem impedimento legal para suprimir, segundo a interpretação do proponente.

Fonte: Caderno 1 PEU Jurerê In – página 13

O projeto tramita, está disponível no site da PMF e já obteve a declaração de interesse público (Decreto nº 28.404, de 14/08/2025), uma etapa preliminar necessária mas ainda não suficiente.

Chamado da manifestação pela comunidade:

📅 25 de julho de 2026 (sábado)
🕒 15h
📍 Pórtico de entrada do Jurerê Internacional – Rodovia Francisco Grillo

🌳 Salvem a floresta nativa
🐒 Salvem os silvestres
🚫 Chega de prédios
🚫 Fora especulação imobiliária
🌱 Natureza sim! Concreto não!

Pré-jornada de agroecologia em Canelinha marca o nascimento da Teia dos Povos em Santa Catarina

https://scontent-mia5-1.cdninstagram.com/v/t51.82787-15/753247423_18438695140124375_5418551684843660839_n.jpg?stp=dst-jpg_e35_tt6&_nc_cat=104&ig_cache_key=Mzk0Njk0NDA5ODg2NTgzNjM4NQ%3D%3D.3-ccb7-5&ccb=7-5&_nc_sid=58cdad&efg=eyJ2ZW5jb2RlX3RhZyI6IkNBUk9VU0VMX0lURU0ueHBpZHMuMTA4MC5zZHIucmVndWxhcl9waG90by5DMyJ9&_nc_ohc=7NTminwmjv8Q7kNvwH2dt4x&_nc_oc=AdoubFdZWTr1Cjvn8htqXvcKuBf39vG4KsFBlhi6NvUANc6S0lzm2QB2gGWybJKUL4o&_nc_zt=23&_nc_ht=scontent-mia5-1.cdninstagram.com&_nc_gid=Cj_DV5kr1fsjWOsbVAWCLg&_nc_ss=7ba8c&oh=00_AQB3jW21_8URZ2Rs1KGODIHbreG9GWgvt_VNTlcODjB0oQ&oe=6A67DB6A

Via Teia dos Povos SC e Portal Catarinas, no instagram

Como resposta ao avanço do agronegócio, da especulação imobiliária e da crise climática, a Aldeia Mbya Guarani Tava’í, em Canelinha (SC), sedia entre os dias 24 e 26 de julho a I Pré-Jornada de Agroecologia. O encontro marca o nascimento oficial da Teia dos Povos em Luta de Santa Catarina, uma aliança política permanente entre comunidades pretas, indígenas, camponesas e periféricas.

​Inspirada em experiências de articulação na Bahia e no Rio Grande do Sul, a Teia catarinense aposta na autogestão e no autofinanciamento para garantir sua independência. A sustentação do evento se apoia em uma rede de economia solidária, viabilizada por uma rifa autônoma destinada ao transporte de delegações populares, além de uma logística coletiva que inclui grupos de caronas solidárias, caravanas de estudantes e a colaboração de sindicatos e universidades públicas, como Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

​Durante os três dias de programação, a infraestrutura do território tradicional oferecerá alojamento coletivo e camping para os participantes. A segurança alimentar do encontro será gerida de forma comunitária, garantindo isenção aos moradores de territórios mediante a doação voluntária de alimentos não perecíveis.


Descrição de imagem: Fotografia de bandeira com o nome Teia dos Povos, rodeada de espigas de milho. Está escrito: Aliança preta, indígena, camponesa e popular lança a Teia dos Povos em SC. 1ª Pré-Jornada de Agroecologia, de 24 a 26 de julho na Aldeia Tava’í, marca o nascimento da articulação.

Para conhecer mais:

Site da Teia dos Povos, articulação nacional: https://teiadospovos.org/

Programação do evento da pré-jornada e orientações gerais podem ser consultadas no instagram da Teia dos Povos de SC.

Ativistas realizam intervenção contra o início das obras da megalomarina

Sábado dia 18 de julho de 2026. Ao lado do trapiche da beira-mar norte, uma área encontra-se cercada. Na cerca, alguns cartazes de propaganda da construtura JL e da Prefeitura de Florianópolis, com imagens exaltando o projeto da marina. Pedestres passam ao lado, fitando as imagens e comentando sobre o assunto.

Retroescavadeira atrás da cerca, com uma propaganda da marina

Do outro lado da cerca uma retroescavadeira estacionada, sendo vigiada por um trabalhador. Outro cartaz alerta que a obra também é vigiada eletronicamente. O clima é pacato, e um fotografo do grupo ND+ aparece para tirar algumas fotos da obra em seu estágio inicial.

Obra sob vigilância

Um grupo de ativistas se aproxima e estende duas faixas grandes. Na primeira os dizeres: “Desculpe o Transtorno: em breve marina para ricos”, na segunda: “Megalomarina não! pela saúde das baías e em defesa da pesca artesanal e maricultura”. Frases que trazem o contraponto desta obra tão comemorada pelo capital imobiliário e pela gestão Topázio (Podemos) e seus aliados, e fazem um resgate de uma luta que começa bem antes.

Ativistas com as faixas em frente ao local inicial das obras

Os passantes observam surpresos com a intervenção, que coloca um ponto de interrogação na normalidade. Uma senhora com um cachorro para e ajuda a segurar as faixas, diz que gravaria uma entrevista em apoio a luta, mas que um familiar tem uma lancha e é favorável ao projeto e isso traria problemas na família. Alguns passam xingando as ativistas. Apesar da propaganda massiva durante anos da prefeitura e da mídia hegemônica da cidade, que desde o inicio se colocou como favorável e silenciou as vozes dissidentes, ainda é possível notar que a obra carrega polêmica. Basta consultar os comentários em alguma das postagens da prefeitura ou de perfis pagos por ela, como o Floripa Mil Grau e o Florianópolis no instagram.

As duas faixas juntas na área limite da cerca

Após a exposição das faixas no local de inicio das obras, a ação se deslocou para os semáforos da avenida beira-mar norte, onde as faixas eram expostas na avenida nos poucos segundos reservados para os pedestres passarem. O trânsito fluía bem, mas o cenário deverá ser bem diferente com o avanço das obras, com a necessidade de deslocamento de caminhões que irão trazer materiais para a construção de 140 mil metros quadrados, e que contará com um estacionamento subterrâneo para carros.

Faixas na avenida beira-mar norte

Durante a intervenção na avenida, um motoqueiro parou no semáforo e se manifestou favorável ao protesto, dizendo que é pescador do João Paulo, região da maior comunidade pesqueira da cidade. Pouco tempo depois chega a última pessoa para participar do protesto, que já estava se encaminhando para o final. Um pescador da região central, acompanhado do seu filho pequeno. Ele aceitou ser entrevistado, falando sobre os impactos na pesca para um vídeo que será elaborado pelas ativistas.

Pescador na moto dialoga com ativistas
Uma luta que tem história:

Há uma década movimentos sociais e as comunidades de pescadoras e pescadores artesanais, maricultores e extrativistas, e pessoas pesquisadoras se colocam contrárias a este megaempreendimento voltado para uma elite e com impactos imensos e de diversas naturezas.

Onze anos atrás, durante a gestão do prefeito César Souza Júnior (PSD), os planos de construir uma grande marina com um hotel de luxo na Ponta do Coral eram derrotados pela atuação dos movimentos populares. Com a derrota, em 2017, o recém eleito Gean Loureiro (MDB) retoma a ideia, ampliando o projeto e o deslocando para a região atual, em um dos metros quadrados mais caros de Florianópolis.

De lá para cá os movimentos populares seguiram travando essa luta, com diversas idas e vindas. Pareceres técnicos, como um laudo do Ministério Público Federal, contestaram o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) entregues pela construtora JL e elaborados pela empresa Ambiens. O laudo evidencia que os estudos subestimaram os impactos da dragagem, escavação e bota-fora, pois liberariam sedimentos contaminados por metais pesados numa baía já poluída, ameaçando a pesca e a maricultura com riscos sanitários e sem mitigação adequada, além de não terem consultado as comunidades tradicionais afetadas, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT.

Entretanto em abril de 2025, uma audiência de conciliação na Justiça Federal, marcada por uma manifestação, foi fundamental para o avanço do projeto. O IBAMA alegou não ser de sua competência realizar o licenciamento ambiental, e e a Justiça Federal determinou que o IMA (Instituto do Meio Ambiente, de gestão estadual) desse continuidade. Com forte pressão política do governador Jorginho Mello (PL) o projeto prosseguiu sem maiores dificuldades, culminando com a entrega da LAI (Licença Ambiental de Instalação), feita pelo governador ao prefeito em fevereiro deste ano.

O último fato político antes das obras foi a assinatura do contrato de cessão de uso do espelho d’água da Baía Norte, feito pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), em 18 de junho, durante um dia de visitas do Governo Federal em Florianópolis. O documento garante a autorização necessária para a utilização da área marítima, removendo uma das últimas etapas pendentes para o avanço do projeto.

Fonte: Seminário SC.

Obras começaram na quinta, dia 16 de julho:

As obras vinham sendo anunciadas desde a semana passada, quando Renato Igor, da NSC, conhecido propagandista do projeto, anunciava as maravilhas que o futuro empreendimento traria para a cidade.

Na quinta, dia de inicio das obras, o Bom Dia SC, também da NSC, inicia com Anderson Silva falando para a população ir se preparando para a obra, que vai ter seus efeitos colaterais, mas que tudo se pagará no futuro. Ele comenta que a prefeitura está se planejando para obras de melhoria de mobilidade urbana no entorno, com planos de empréstimos de dinheiro do governo federal para isso. Contradizendo a narrativa de que a obra privada não gastaria dinheiro público.

A tarde, o prefeito em pessoa foi lá ver os caminhões descarregando as primeiras pedras e gravou um vídeo para as redes sociais.

Manu Vieira, vereadora do Novo, e conhecida apoiadora do setor da construção civil até pegou uma pedrinha de recordação.

Os já citados perfis bem-humorados pagos com dinheiro público também fizeram propaganda.

Pedra fundamental da marina
Para conhecer mais sobre esta luta, consulte os materiais abaixo elencados:

Sul 21: Cientistas e comunidades tradicionais denunciam obra que promete ‘virada urbanística’ em Florianópolis

Viomundo: Floripa — marina de luxo para poucos, mar de lixo para muitos

Compilação de materiais e registros da luta contra a marina na beira-mar norte

Localização e público-alvo do Projeto Parque Urbano e Marina Beira Mar revelam foco na alta renda,