Nesta sexta-feira, às 14h acontecerá no Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC) a Mesa de Consensualismo que discutirá o futuro do sistema de tratamento de esgoto da Lagoa da Conceição.
As alternativas em debate podem transformar profundamente o futuro ambiental da nossa cidade.
⚠️ Entre elas está a aspersão de efluentes tratados nas dunas da Lagoa da Conceição, uma área que integra um Parque Natural Municipal e constitui uma importante unidade de conservação, responsável pela proteção de ecossistemas frágeis e pela recarga do aquífero.
⚠️ Também estão em discussão emissários, com potencial de afetar comunidades e ecossistemas costeiros:
🌊 Emissário da Baía Sul: um sistema que já está saturado e a sobrecarga poderá gerar mais impactos a região da Baía Sul, com efeitos sobre a RESEX (Reserva Extrativista) do Pirajubaé, pescadores artesanais, maricultores e todo o ecossistema da baía.
🌊 Emissário do Sul da Ilha: afetará o Campeche, a Ilha do Campeche e seu patrimônio histórico e natural, pescadores, surfistas, banhistas, comerciantes, moradores e toda a dinâmica ambiental e econômica da região.
Se você mora na Lagoa, no Sul da Ilha, na Baía Sul, vive da pesca, da maricultura, do turismo, do comércio ou simplesmente acredita que Florianópolis merece soluções ambientalmente responsáveis, este chamado é para você.
Onde: Tribunal de Contas do Estado R. Bulcão Viana, 90 – Centro – Florianópolis Quando: Sexta-feira, às 14h
📣 Leve sua faixa, seu cartaz, seu apito, seu tambor e sua voz! Vamos fazer barulho para mostrar que a sociedade está atenta e exige participação, transparência e soluções que respeitem a natureza e as comunidades.
✊ A natureza de Florianópolis precisa da nossa voz. É hora de defendermos nossas praias, nossas lagoas, nossas dunas, nossas florestas e o futuro da nossa cidade. Compareça e fortaleça essa mobilização!
Participe da Reunião do Fórum da Bacia do Itacorubi, nesta terça 30/06 às 19h na AMOVIM (Associação dos Moradores da Vila Ivan Matos e ADJ).
Na ocasião será apresentado um diagnóstico acadêmico e comunitário que analisa as vulnerabilidades socioambientais e os riscos de inundação em Florianópolis, com foco especial nas Áreas de Desenvolvimento Incentivado (ADIs). O documento é fruto de uma colaboração entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Fórum da Bacia do Itacorubi e Fórum ECOAR, investigando como o adensamento urbano acelerado e a ocupação de áreas suscetíveis potencializam desastres naturais.
Através de uma abordagem de justiça ambiental e climática, os autores examinam a insuficiência de infraestrutura e as decisões políticas que intensificam a exposição da população a eventos extremos. O relatório sistematiza dados cartográficos e jurídicos para fundamentar estratégias de adaptação climática e fortalecer a resiliência das comunidades locais.
Por fim, o trabalho serve como um instrumento de incidência política, buscando orientar o poder público para uma gestão de riscos mais transparente e socialmente justa.
Mais de 70 representantes de 42 entidades pastorais, movimentos sociais populares, organizações da sociedade civil, universidades, coletivos ecológicos, povos originários, comunidades tradicionais e lideranças de diferentes regiões de Santa Catarina lançaram neste domingo (28), em Rio do Oeste, o Manifesto de Rio do Oeste, uma carta pública que reivindica ações estruturantes para o enfrentamento da crise climática com justiça socioambiental.
O documento é o principal encaminhamento do Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, realizado entre os dias 26 e 28 de junho, e sintetiza os debates, reflexões e propostas construídas coletivamente ao longo do encontro.
Mais do que denunciar os impactos das mudanças climáticas, o manifesto é um grito coletivo o qual ressalta que a crise é também ética, política, econômica e social, exigindo transformações profundas no atual modelo de desenvolvimento.
“O Manifesto de Rio do Oeste nasce da compreensão de que os efeitos da crise climática já atingem diretamente os territórios e recaem, sobretudo, sobre as populações mais vulnerabilizadas. Por isso, defender o clima significa também defender os direitos dos povos, a democracia, os bens comuns e a vida”.
Entre as principais reivindicações estão a demarcação e proteção dos territórios indígenas; o fortalecimento da organização comunitária e da participação popular; uma transição energética justa; o enfrentamento aos impactos da mineração; a proteção da biodiversidade e das sementes crioulas; o incentivo à agroecologia; a garantia do direito à água; a promoção da soberania alimentar; o fortalecimento da agricultura urbana; e investimentos em educação ambiental, comunicação popular e gestão de riscos climáticos.
O manifesto também ressalta a importância dos conhecimentos dos povos originários e das comunidades tradicionais, da ciência comprometida com o bem comum e da Ecologia Integral como caminhos para enfrentar a emergência climática e construir sociedades baseadas no Bem Viver.
Leitura da Carta Manifesto Rio do Oeste. Foto: Maria Clara de Farias/ Cáritas SC
Articulação permanente
O Seminário e a construção da carta foi uma convocação para o fortalecimento do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental – Núcleo SC, uma articulação formada por entidades, pastorais e movimentos sociais que atua em rede desde 2010 para promover consciência crítica e incidência política diante das causas e dos impactos das mudanças climáticas.
Presente em diferentes biomas e territórios brasileiros, o Fórum desenvolve ações de formação e mobilização social, além de dialogar com redes nacionais e internacionais, acompanhando agendas como as Conferências das Partes sobre Mudanças Climáticas (COPs).
Sua atuação defende que o enfrentamento da crise climática passa necessariamente pela justiça socioambiental, pela participação popular e pelo protagonismo das comunidades que vivem cotidianamente os impactos dos eventos extremos.
Construção coletiva
O Seminário Estadual de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental foi promovido pela Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, em parceria com o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, a CNBB Regional Sul 4 e o Fundo Nacional de Solidariedade.
Sob o tema “Bem conviver com a Mata Atlântica”, as atividades promoveram o protagonismo a eixos como a preservação de bens naturais, a agricultura familiar e a defesa dos direitos territoriais.
O documento que sintetiza o seminário convoca igrejas, universidades, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, juventudes, gestores públicos e toda a sociedade catarinense a construir um novo projeto de sociedade baseado na justiça socioambiental, na solidariedade entre os povos e no cuidado com a Casa Comum.
“Não há justiça social sem justiça ambiental. Defender os territórios é defender o futuro da humanidade.”